Por: Lucas Vieira
“Depois do samba e do baião, o que eu mais gosto é de reggae."
Gil, um dos arquitetos da nossa música, sempre soube somar valores. Em uma entrevista nos bastidores do Festival da TV Record, no ano de 1967, já revelava isso, quando referia-se a ter se juntado aos Mutantes para defender sua música no dito festival. “Eu encontrei esses três jovens, dois rapazes e uma moça. São excelentes instrumentistas, excelentes pessoas com sensibilidade, com percepção artística. Então porque, de repente, eu vou me privar desse valor que está junto a mim, que pode contribuir pro meu trabalho e pro trabalhos de todos? Acho besteira!”, dizia Gil. Em “Domingo No Parque”, Gil reunira suas raízes da música brasileira com o rock dos Mutantes e ganhou o segundo lugar no Festival. Anos depois, Gil veio a se apaixonar pelo som jamaicano, disseminado no mundo por Bob Marley, quando já de volta do exílio pelo qual permaneceu quatro anos em Londres, ouvira Jimmy Cliff tocar no rádio a música “No, Woman no Cry”, de Bob Marley, que mais tarde o baiano fizera uma versão e gravara. Começamos a perceber a influência do reggae na música de Gil na canção “Norte da Saudade” (Perinho Santana/Moacyr Albuquerque/Gilberto Gil), no disco Refavela (1977). Depois desse episódio não ficou nem um pouco difícil ouvir o Reggae na música de Gil, que ao longo de sua carreira fez diversas canções no dito gênero e gravou inclusive um disco inspirado na obra de Bob Marley em 2002, o Kaya N’ Gan Daya. Abaixo, algumas amostras da influência do reggae no som do Gil:
Vamos Fugir
Lançada no disco Raça Humana, em 1984, esse talvez seja o reggae mais famoso de Gilberto Gil. Feita em parceria com o produtor Liminha, anos depois essa música faria muito sucesso com a regravação da banda Skank.
Esotérico
Em 1982 no disco Um Banda Um, Gil aparecia com uma versão totalmente diferente da apresentada por Gal e Bethania nos Doces Bárbaros. O arranjo místico dessa versão não saiu devendo nada a gravação anterior, contando com backing vocals femininos, característicos do estilo.
A Novidade
Com grande sucesso atingido pelo Paralamas do Sucesso em seu disco Selvagem?, Gil gravaria sua parceria com o trio roqueiro uma década depois, em seu disco acústico. A presença da flauta dá um ar especial ao clássico.
Waiting in Vain
Como sempre em sua carreira, Gil ousou nessa música, e fez isso muito bem. Parte do disco Kaya N’ Gan Daya, o baiano pegou o reggae do Bob Marley e misturou com os nossos instrumentos. Ouvimos nessa interpretação cavaquinho, acordeom e no seu desfecho um trecho da música tocado em ritmo de samba.
Segundo o relato do Gil, o que o aproximou do Reggae não foi uma questão espirituosa ou política, foi somente o som. Algo no Gil revela que o Reggae casa com a alma dele, algo que está dentro dele e ele consegue transimitir perfeitamente.
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Lucas Vieira mora em Cordeiro-RJ, é o criador do projeto “Dizconauta”, tem 17 anos, está no último ano do Ensino Médio e é autor do Blog THE LUCAS`S DISCOPÉDIA.
Para saber mais sobre ele acesse: http://dizconauta.wordpress.com
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